Quando o telemóvel fica sem bateria, procuramos um carregador. Quando o carro precisa de revisão, levamo-lo à oficina. Mas quando se trata do nosso sistema imunitário, será que só nos lembramos dele quando aparecem os primeiros sintomas?
Uma garganta arranhada, os primeiros espirros, aquela sensação de que estamos prestes a ficar constipados. É muitas vezes nesta altura que começamos a pensar nas nossas defesas e a procurar formas de as reforçar.
Mas há algo curioso nesta forma de pensar: o sistema imunitário não começa a trabalhar quando ficamos doentes, na verdade, está ativo todos os dias, mesmo quando nos sentimos perfeitamente saudáveis.
E, tal como acontece com tantos outros processos do organismo, o seu funcionamento depende de condições que construímos muito antes de surgir qualquer sintoma.
As nossas defesas não têm um botão de ligar e desligar
Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, o sistema imunitário não passa os dias em repouso, à espera de uma infeção para entrar em ação.
A pele e as mucosas funcionam continuamente como barreiras de proteção, enquanto diferentes células imunitárias participam na vigilância do organismo, identificando sinais de possíveis ameaças.
Quando um agente patogénico consegue ultrapassar estas barreiras, são ativados mecanismos de defesa que envolvem o reconhecimento de microrganismos, a comunicação entre células e, quando necessário, o desenvolvimento de respostas mais específicas.
Mas tudo isto exige recursos… as células imunitárias precisam de energia, de nutrientes e de condições adequadas para se multiplicarem, comunicarem e desempenharem as suas funções.
É por isso que cuidar do sistema imunitário não deve ser apenas uma preocupação sazonal. A sua atividade é contínua e as necessidades nutricionais que a sustentam também.
O que é que a alimentação tem a ver com isto?
A alimentação fornece os nutrientes necessários a inúmeros processos fisiológicos, incluindo os que participam na resposta imunitária. E embora nenhum alimento ou suplemento consiga, isoladamente, garantir proteção contra infeções, sabemos que determinadas vitaminas e minerais desempenham funções importantes neste sistema.
A vitamina C, por exemplo, participa no funcionamento de diferentes células imunitárias e contribui para a proteção das células contra as oxidações indesejáveis. Esta função antioxidante tem interesse porque, durante a resposta imunitária, são produzidas espécies reativas de oxigénio que ajudam a combater microrganismos, mas que também precisam de ser reguladas.
Já a vitamina D tem uma relação interessante com a imunidade. Embora seja mais conhecida pelo seu papel na saúde óssea, diferentes células imunitárias possuem recetores para esta vitamina, permitindo que a sua forma ativa participe na regulação de mecanismos de defesa.
E o zinco? Este mineral intervém em processos como a divisão celular e a síntese de ADN, necessários ao desenvolvimento e funcionamento de diferentes células imunitárias, incluindo os linfócitos.
Três micronutrientes, três formas diferentes de participar num sistema que trabalha continuamente.
E se pensássemos na imunidade antes de chegar o inverno?
É habitual associarmos os cuidados com a imunidade aos meses mais frios. Afinal, é nesta altura que as infeções respiratórias aparecem com força e que começamos a ouvir falar mais frequentemente de vitamina C, vitamina D e zinco. Mas as necessidades nutricionais do organismo não surgem apenas em outubro ou novembro.
A vitamina C precisa de ser obtida regularmente através da alimentação, uma vez que o organismo humano não a consegue sintetizar.
A vitamina D pode ser produzida na pele através da exposição à radiação UVB, embora essa produção varie com fatores como a estação do ano, a latitude e as características individuais.
Já o zinco, por não possuir reservas corporais especializadas que assegurem uma disponibilidade prolongada, depende de um aporte alimentar regular.
É esta diversidade que torna a nutrição tão interessante: diferentes nutrientes, diferentes mecanismos e necessidades que não desaparecem quando termina a época das constipações.









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